domingo, 30 de junho de 2013

título perdido (também)


Fechei os olhos e andei. Não segui as placas e não parei no vermelho. Segui caminhando sem rumo e sem direção.

Parte de mim sabia que no segundo que eu daria o primeiro passo isso iria acontecer. A culpa foi minha, sabia desde o início.

Eu acho que a pior parte de tudo isso não foi ir rumo ao desconhecido, e sim me perder.

Quando olhei ao redor tudo, tudo estava virado. Eu descobri que você não sabe quem você é até você perder quem você era.

Tudo é caótico e o universo sempre tende a desordem.

Não é difícil perder-se. Não é tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a 

mentira que eu costumava acreditar.

sábado, 22 de junho de 2013

coração partido


Eu chorei. Eu chorei pelo o que poderia ser, eu chorei pelo o que é, eu chorei pelos corações partidos, eu chorei pelos olhares vazios, eu chorei pelos sonhadores, eu chorei pelos esperançosos, eu chorei pelos corações solitários, eu chorei por mim. Eu chorei.

Eu também sorri. Eu sorri pelos corações unidos, eu sorri pelos o que sorriam, eu sorri pelos que estavam de mãos dadas, eu sorri para meus amigos, eu sorri pelo calor do abraço, eu sorri por mim. Eu sorri.

Pensava que corações selvagens não se quebravam, mas não é verdade.

Assumo a derrota, perdi a batalha.

Meu coração foi quebrado pela primeira vez.

sábado, 8 de junho de 2013

um curto e sincero adeus

Eu simplesmente poderia postar uma foto dele sozinho ou uma dele comigo escrito adeus vô, porém foi então que eu percebi que não consigo achar uma foto dele ou uma foto minha com ele.

Ele trilhou seu caminho: separou da minha avó e casou com outra. Formou outra família, tinha outras prioridades. Via ele, mais ou menos, uma vez a cada dois anos.

Não guardo rancor e também não coleciono E se. Não o culpo por nada e não voltaria no tempo para mudar algo. Vai (e foi) ser assim, pronto.

Então deixo registrado aqui minha curta e sincera despedida :

Adeus vô, descanse em paz.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

ensaio sobre os traídos




        Quando alguém é traído, os apelidos são de corno, chifrudo e galhudo. Quem traí, chamam de infiel. Sempre achei estranho essa inversão que ocorre, quem sofre a ação é caçoado e quem faz a ação, não. 

        Nunca esqueço um caso que aconteceu na internet em que a mulher ao descobrir que o marido a traía, resolveu postar as fotos que ele tirava com ela no facebook. Alguns delas eram íntimas, outros só dos dois. Os comentários que acompanharam as fotos eram sempre: é corna e ainda admite, vai ter que abaixar a cabeça quando entrar pela porta, e aí galhuda, não tem vergonha de mostrar não ?, entre outros.

        Eu acho engraçado que nessa situação ela que teria que ter vergonha. Foi ela que traiu ? Não. Foi ela que foi infiel ? Não. Então, pronto.

        Eu sempre apoio quem foi traído. Sempre digo para não ter vergonha de dizer o que aconteceu, pois quem deveria ter vergonha foi quem a traiu. Então chore, grite, xingue, se descontrole, desabafe e ria, mas não se envergonhe.

        Se algum dia você se perguntar o que você fez para ser traído(a), a resposta será simples: 

        você não fez nada, 


quem fez foi ele(a).