segunda-feira, 29 de julho de 2013

cansado de despedidas


Nesse mês já foram 3. Um adeus e dois tchaus, até logo.

Não estou preparado para mais uma, não me dou bem com despedidas. Quero uma pausa, um descanso. Se despedir é difícil, leva tempo para se acostumar e quando a ficha cai, você conhece o lado ruim da saudade. 

O que eu quero agora é mais "ois". Eu torço que quando eu for tomar um ar em uma festa, alguém tome coragem e diga:

Oi! Qual é o seu nome ?

E assim, que os "tchaus" começassem a se transformar em "ois", assim como quando a água começa a mudar para o vinho.




segunda-feira, 15 de julho de 2013

a chorona do karaoke



Resolvemos dessa vez fechar uma mesa e compartilhar com todos nossos dons artísticos.

As horas iam passando, as pessoas iam bebendo e as músicas que são obrigatórias no karaokê eram cantadas. Novos talentos da mpb foram se revelando e as pessoas continuavam bebendo.

Umas três horas da manhã, uma moça que mal conseguia parar em pé, subiu no palco e bamba, esperou sua música começar. Evidências, que estaria sendo cantada pela quinta vez naquela noite, foi sua escolha. Percebi que todas as mesas resolveram parar de conversar para ver o show que seria feito, pois todos sabem o resultado da combinação de pessoa alcoolizada + Evidências.

Ela começou a cantar. Segurava o microfone com as suas duas mãos e olhava para nós, a platéia. Tudo ia bem até que ... seus olhos começam a lacrimejar e sua voz começa a falhar. Ao chegar no refrão, ela abaixou a cabeça e começou a chorar. Para ajuda-la as pessoas começaram a cantar, a bater palmas e algumas também começaram  a vaiar. 

Estava acontecendo uma cena cômica, até que ouvimos o primeiro soluço dela. Todos ao ouvi-lo ficaram em silêncio ao mesmo tempo. Foi um silêncio que durou 10 segundos, mas foram os 10 segundos necessários para perceberem que não era somente uma moça bêbada chorando ao cantar uma música, era algo mais, tinha um coração partido ali, uma história de amor acabada ou mal resolvida por trás daquele choro.

O silêncio foi quebrado ao melhor amigo da moça subir no palco, abraça-la e sem jeito, faze-la descer de lá. As pessoas começaram a aplaudir, assoviar e rir. A dona do lugar parou a música e chamou o próximo, com um jeito de quem já estava acostumada com aquela situação. 

Outra moça sobe no palco. O amor não deixa - Vanessa Camargo foi escolhida.

Dados começam a surgir no karaoke "Alô Vanessa ? Atende Vanessa."

E todos esperavam ansiosamente o próximo coração partido,

                                                                                                                                       subir no palco.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

sempre há um momento


Um homem volta para casa depois de ter estado nos braços de outra. Ao entrar em casa resolve contar a verdade.

Ela: Por que ?

Ele: Eu me apaixonei por ela, Alice.

Ela: Ah, como se você não tivesse escolha? Existe um momento, existe sempre um momento, "Eu posso fazer isso, eu posso me render a isso, ou eu posso resistir", e eu não sei quando foi o seu momento, mas eu aposto que existiu.

Sim Alice, há sempre este momento. Todos nós agimos sabendo das consequências das nossas escolhas e sempre, sempre temos a chance de escolher.

Ela: Como você pode fazer isso com alguém ?

Nós não sabemos Alice, nós realmente não sabemos.


e ainda continuo me perguntando.